Taxa de desemprego no Brasil cai ao menor nível desde 2012, mas dados escondem sinais de alerta

Diego Rodríguez Velázquez
4 Min de leitura
Taxa de desemprego no Brasil cai ao menor nível desde 2012, mas dados escondem sinais de alerta

Governo federal celebra recorde histórico no mercado de trabalho, enquanto pesquisadores apontam aumento da subutilização da força de trabalho e pressão sobre a inflação.

O Brasil iniciou 2026 com indicadores considerados históricos no mercado de trabalho, segundo anúncio do Ministério do Trabalho e Emprego. A taxa de desemprego recuou para 5,2%, a menor já registrada desde 2012, refletindo crescimento em todos os estados e setores da economia. Desde janeiro de 2023, o país criou mais de 5 milhões de empregos formais, de acordo com dados do Novo Caged, elevando o estoque de vínculos formais para mais de 49 milhões de trabalhadores, o maior patamar da série histórica.

O que o governo diz sobre o resultado

O ministro Luiz Marinho classificou o momento como uma retomada sustentada do mercado de trabalho brasileiro, associada a um crescimento distribuído por todas as regiões do país, sem concentração em poucos setores. Segundo ele, esse padrão amplia a resiliência da economia diante de choques externos e sustenta um cenário de continuidade na geração de empregos formais para 2026, com fortalecimento do mercado interno e retomada gradual dos investimentos produtivos.

O outro lado da moeda: subutilização em alta

Nem todos os indicadores, porém, seguem na mesma direção. Um levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas mostra que a taxa de subutilização da força de trabalho subiu de 13,5% em novembro de 2025 para 14,1% em fevereiro de 2026, o equivalente a cerca de 16,1 milhões de brasileiros, 675 mil a mais no período. Esse indicador é mais amplo do que o desemprego tradicional, pois inclui também quem trabalha menos horas do que gostaria e quem está disponível para trabalhar mas não está procurando emprego no momento da pesquisa.

O mesmo estudo relaciona parte desse comportamento à expansão do Bolsa Família, cujo valor médio mais que triplicou desde a pandemia. Para cada duas famílias que recebem o benefício, uma sai da força de trabalho, segundo o levantamento, o que ajuda a explicar por que a baixa taxa de desemprego não conta toda a história do mercado de trabalho brasileiro.

Por que o desemprego baixo também pressiona a inflação

Esse aperto no mercado de trabalho tem outro efeito colateral. Como o setor de serviços é intensivo em mão de obra e a economia opera perto da capacidade máxima, o aumento de custos com salários é repassado rapidamente ao consumidor, o que ajuda a manter o IPCA acima da meta de 3% ao ano. Pesquisadores do Ibre-FGV projetam que o mercado de trabalho deve seguir pressionado ao longo de 2026, com a taxa média de desemprego fechando o ano em 5,9%, praticamente estável em relação a 2025.

O que isso significa no bolso do trabalhador

Para quem está fora do mercado formal ou buscando uma recolocação, o cenário sinaliza que as vagas seguem em expansão, mas o poder de compra do salário pode continuar sendo corroído pela inflação persistente. É esse equilíbrio entre mais empregos e preços mais altos que deve seguir no centro do debate econômico nos próximos meses, à medida que novos dados do Caged e do IBGE forem divulgados.

Fontes:
Ministério do Trabalho e Emprego | Gazeta do Povo

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