Entenda a nova onda do maximalismo com Daugliesi Giacomasi Souza

Santiago Belvano
5 Min de leitura
Daugliesi Giacomasi Souza

Durante anos, ambientes neutros dominaram os projetos de interiores, marcados por paletas claras, poucos objetos e uma estética cuidadosamente controlada. Daugliesi Giacomasi Souza, fundadora da DGdecor, acompanha a mudança que coloca o maximalismo novamente em evidência, valorizando cores, texturas, memórias e escolhas capazes de revelar a personalidade dos moradores. A proposta não significa simplesmente adicionar mais elementos a um cômodo, mas repensar como objetos, materiais e combinações podem contribuir para criar espaços com identidade, sem abrir mão da organização e da funcionalidade.

Saiba mais a seguir!

Por que o neutro deixou de ser a única referência?

A preferência por ambientes neutros esteve relacionada durante muito tempo à ideia de sofisticação, versatilidade e facilidade de combinação. Tons claros realmente podem produzir sensação de amplitude e tranquilidade, mas a repetição desse padrão também levou muitos projetos a resultados semelhantes. Quando diferentes casas passam a utilizar praticamente as mesmas cores, materiais e formas, a decoração corre o risco de perder justamente aquilo que deveria diferenciá-la: a história de quem mora ali.

O retorno do maximalismo representa, nesse sentido, uma mudança de comportamento. A decoração começa a aceitar mais referências simultaneamente, incluindo móveis de diferentes épocas, obras de arte, estampas, livros, objetos afetivos e cores mais marcantes. O interesse não está em abandonar o equilíbrio, mas em permitir que o ambiente tenha mais camadas visuais e revele características que não poderiam ser reproduzidas em qualquer outra casa.

Segundo Daugliesi Giacomasi Souza, essa mudança também acompanha uma valorização maior do conforto emocional dentro dos espaços residenciais. Depois de períodos em que a estética minimalista privilegiava a redução, cresce a procura por ambientes que transmitam acolhimento e tenham relação com experiências pessoais. A casa deixa de ser tratada apenas como uma composição visual e passa a ser percebida como um lugar que reúne hábitos, lembranças e diferentes momentos da vida.

Como usar mais elementos sem criar um ambiente confuso?

O maximalismo não precisa significar excesso sem planejamento. Um dos principais recursos para trabalhar essa estética é estabelecer algum tipo de conexão entre os elementos. Cores que aparecem em diferentes pontos do ambiente, materiais que conversam entre si ou objetos que compartilham uma mesma referência podem criar unidade mesmo quando existem muitas informações visuais.

Daugliesi Giacomasi Souza
Daugliesi Giacomasi Souza

A escolha de um ponto de destaque também ajuda a organizar a composição. Uma parede colorida, um sofá expressivo, uma obra de arte ou uma luminária diferenciada pode funcionar como referência para as demais decisões. De acordo com Daugliesi Giacomasi Souza, a partir desse elemento, outros objetos podem ser incorporados gradualmente. Assim, o ambiente ganha personalidade sem transformar cada superfície em um ponto de atenção.

Por que objetos pessoais ganharam tanta importância?

Um ambiente pode seguir perfeitamente uma tendência e, ainda assim, parecer impessoal. Isso acontece quando todas as escolhas são feitas pensando apenas na estética do momento. Fotografias, livros, peças herdadas, lembranças de viagens e objetos escolhidos ao longo dos anos introduzem informações que não aparecem em um catálogo de decoração. São esses elementos que ajudam a transformar um espaço planejado em uma casa com história.

A presença desses objetos também permite misturar épocas e estilos. Uma peça antiga pode conviver com uma marcenaria contemporânea, enquanto uma obra de arte pode dividir espaço com móveis de linhas simples. O contraste deixa de ser um problema quando existe uma intenção clara na composição. Em muitos casos, justamente essa diferença produz um resultado mais interessante do que a combinação de peças compradas para pertencer ao mesmo conjunto.

Nesse sentido, o maximalismo acompanha uma mudança na própria percepção sobre o que significa ter uma casa bem decorada. Para Daugliesi Giacomasi Souza, a personalidade dos moradores pode ser um ponto de partida mais relevante do que a reprodução de uma tendência específica. Quando as escolhas têm significado, o ambiente consegue permanecer atual mesmo quando determinadas modas deixam de aparecer nas revistas e nas redes sociais.

Para acompanhar referências de decoração, arquitetura e construção, o trabalho da DGdecor também pode ser acompanhado pelo Instagram @dgdecor.construir, espaço dedicado a projetos e ideias para ambientes com mais personalidade.

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