Vinicius Rodrigues, médico com experiência em diagnóstico por imagem e gestão de saúde pública, observa que um dos maiores desafios da saúde preventiva feminina no Brasil não está na falta de conhecimento científico ou de tecnologia disponível, mas na dificuldade de transformar esse conhecimento em cuidado efetivo na prática. Nas últimas décadas, houve avanços importantes tanto na medicina preventiva quanto nos recursos diagnósticos voltados à saúde da mulher. Ainda assim, permanece um distanciamento significativo entre aquilo que já se sabe que deveria ser feito e o que de fato chega à rotina das pacientes. Para ele, a baixa adesão aos exames preventivos vai além da informação: envolve barreiras de acesso, questões culturais e limitações estruturais do próprio sistema de saúde.
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Quais exames preventivos toda mulher deveria conhecer e realizar?
A mamografia é o exame preventivo mais discutido quando se fala em saúde da mulher, mas está longe de ser o único relevante. O Papanicolau, exame citológico para rastreamento do câncer de colo do útero, continua sendo fundamental e ainda apresenta cobertura insuficiente no Brasil, especialmente em mulheres com menor acesso ao sistema de saúde. Além destes, a densitometria óssea, indicada para mulheres a partir da menopausa para rastreamento de osteoporose, é frequentemente esquecida nas rotinas de cuidado preventivo.
A ultrassonografia transvaginal e a avaliação hormonal periódica têm papel relevante no monitoramento da saúde ginecológica, expressa Vinicius Rodrigues, especialmente em mulheres com sintomas de alterações ovarianas ou uterinas. Os exames cardiovasculares ganham importância crescente após a menopausa, período em que o risco de doenças do coração aumenta significativamente nas mulheres. A integração de todos esses exames em um calendário preventivo individualizado é o que caracteriza um acompanhamento de saúde verdadeiramente abrangente.
O Dr. Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues ressalta que a criação de um calendário preventivo não é tarefa que a mulher deve executar sozinha. O médico que a acompanha tem a responsabilidade de orientar quais exames são indicados para cada perfil, em que periodicidade e o que observar nos resultados. A consulta preventiva, quando bem conduzida, é muito mais do que uma renovação de exames: é uma oportunidade de reavaliação de risco e de atualização do plano de cuidado.
Por que tantas mulheres ainda não realizam os exames preventivos recomendados?
As barreiras à realização de exames preventivos se dividem em estruturais e comportamentais, e ambas precisam ser endereçadas para que a cobertura aumente de forma sustentável, indica o Dr. Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues. Do lado estrutural, a falta de vagas, a dificuldade de acesso geográfico, os longos tempos de espera no sistema público e o custo dos exames no setor privado são obstáculos concretos que impedem a adesão independentemente da vontade da mulher.

Do lado comportamental, o medo do diagnóstico e a priorização de outras demandas cotidianas estão entre as razões mais frequentemente relatadas por mulheres que sabem que deveriam fazer os exames e não os fazem. A cultura de não ir ao médico enquanto não há sintoma está profundamente enraizada em parte da população, especialmente em gerações mais velhas e em grupos com menor escolaridade. Com isso, mudar essa cultura exige trabalho educativo de longo prazo.
Vinicius Rodrigues aponta que a ausência de um sistema organizado de convocação ativa é um dos fatores mais impactantes na baixa cobertura de exames preventivos no Brasil. Em países com programas de rastreamento estruturados, as mulheres recebem convites periódicos para realizar os exames, com agendamento facilitado e lembretes de retorno. Esse modelo ativo contrasta com o modelo passivo brasileiro, no qual a responsabilidade de buscar o exame recai integralmente sobre a própria mulher.
Como a atenção primária pode ser o motor da prevenção feminina?
A Estratégia de Saúde da Família, com sua capilaridade e sua proposta de vínculo longitudinal com as famílias, é a estrutura mais adequada para suportar um programa efetivo de rastreamento preventivo feminino. Quando funcionando bem, as equipes de saúde da família conhecem as mulheres de seu território, sabem quais estão em dia com os exames preventivos e têm condições de identificar e abordar aquelas que estão fora do calendário.
O agente comunitário de saúde tem papel estratégico nesse processo, comenta Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, médico radiologista. Sua presença no domicílio e sua familiaridade com a comunidade permitem uma abordagem que os serviços especializados não conseguem replicar. Capacitar esses profissionais para orientar sobre exames preventivos, identificar barreiras específicas de cada mulher e facilitar o acesso ao agendamento é um investimento de alto retorno para a saúde preventiva da população feminina.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez