Prefeitura de Maceió libera R$ 17,7 milhões para obras em meio a crise na limpeza urbana

Diego Rodríguez Velázquez
4 Min de leitura
Prefeitura de Maceió libera R$ 17,7 milhões para obras em meio a crise na limpeza urbana

Enquanto bairros da capital acumulam lixo por impasse financeiro com empresas de coleta, prefeitura amplia investimento em infraestrutura no Litoral Norte e na parte alta da cidade.

A Prefeitura de Maceió autorizou um reajuste de R$ 17,7 milhões em dois contratos de infraestrutura que já estavam em andamento na capital alagoana. O aumento foi oficializado por meio de termos aditivos publicados no Diário Oficial do Município e assinados pelo prefeito Rodrigo Cunha, ampliando o investimento em obras no Litoral Norte e na parte alta da cidade. A medida chama atenção justamente por ocorrer num momento em que outros serviços públicos essenciais da cidade enfrentam dificuldades visíveis para o cidadão comum.

Coleta de lixo travada por dívida com empresas

É o caso da limpeza urbana. A redução da coleta de resíduos em diferentes regiões da capital está relacionada a um impasse financeiro entre o município e as empresas Via Ambiental e Naturalle. Segundo apurou a Folha de Alagoas, a Via Ambiental afirma ter cerca de R$ 45 milhões a receber da Prefeitura, valor que ajudaria a explicar a paralisação parcial dos serviços em algumas regiões.

O resultado prático já apareceu nas ruas. Nos últimos dias, foi registrado acúmulo de lixo em diversos pontos da cidade, inclusive em frente à sede da Secretaria Municipal de Educação, onde sacos de lixo permaneceram espalhados na calçada. A cena reforça a dúvida que mais interessa ao morador: por que recursos estão sendo liberados para obras novas enquanto um serviço básico como a coleta de lixo patina.

Até a publicação da reportagem que originou este levantamento, a Secretaria Municipal de Infraestrutura não havia se manifestado sobre os aumentos nos aditivos, o que deixa em aberto uma explicação oficial sobre os critérios usados para priorizar esses contratos específicos.

O orçamento de R$ 5,6 bilhões aprovado pela Câmara

O episódio ganha outra camada de contexto quando se olha para o orçamento municipal como um todo. Em janeiro, a Câmara Municipal aprovou por unanimidade a Lei Orçamentária Anual de 2026, no valor de R$ 5,6 bilhões. Foram 27 vereadores votando a favor, em sessão extraordinária, depois de mais de 200 emendas apresentadas, das quais apenas dez foram vetadas.

O presidente da Casa, vereador Chico Filho, destacou na ocasião a importância técnica do trabalho legislativo sobre a peça orçamentária. Já o relator especial do Orçamento, vereador Marcelo Palmeira, explicou que o trabalho técnico permite à Prefeitura destinar recursos orçamentários para políticas públicas como saúde, educação, pagamento de pessoal e infraestrutura, incluindo obras de mobilidade urbana.

O que o morador pode esperar daqui para frente

É justamente esse cruzamento entre planejamento orçamentário e execução prática que o episódio da limpeza urbana coloca em evidência. Um orçamento aprovado com margem ampla no Legislativo não impede que setores específicos, como a coleta de resíduos, sofram com atrasos de pagamento e disputas contratuais que afetam diretamente o dia a dia da população.

Para o morador de Maceió, a pergunta que fica é prática: quando o serviço de coleta será normalizado nos bairros afetados, e se o impasse financeiro com as empresas terceirizadas tem prazo definido para solução. Até o momento, nem a prefeitura nem as empresas envolvidas divulgaram um cronograma público de resolução, e o acompanhamento das próximas publicações no Diário Oficial deve trazer mais clareza sobre os próximos passos.

Fontes:
Folha de Alagoas | Câmara Municipal de Maceió

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