Ernesto Kenji Igarashi, sendo especialista em segurança institucional e proteção de autoridades, constata que o segundo semestre de 2026 encontra as organizações diante de um mosaico de ameaças mais interconectado do que qualquer matriz de risco tradicional consegue capturar. A característica central do momento não é a novidade absoluta de cada risco, e sim a velocidade com que eles se combinam: um incidente cibernético vira crise reputacional, que vira litígio, que vira problema regulatório, tudo dentro da mesma semana.
Nos próximos parágrafos você encontrará o panorama dos dez riscos que definem 2026, organizados em quatro grandes frentes, com a leitura prática do que cada um exige em termos de preparação.
Frente digital: quando a inteligência artificial arma os dois lados?
Os três primeiros riscos habitam o território digital. O primeiro é o ataque cibernético potencializado por inteligência artificial, com ransomware mais adaptativo e invasões que exploram cadeias de fornecedores de software. O segundo é a fraude por identidade sintética e deepfakes, que já vitima empresas por meio de vozes e vídeos falsificados de executivos autorizando transferências e decisões.
O terceiro é a desinformação dirigida contra marcas e lideranças, capaz de derrubar valor de mercado antes de qualquer verificação. A preparação, nessa frente, combina tecnologia de detecção, protocolos de dupla verificação para decisões sensíveis e treinamento intensivo de pessoas, uma vez que, como evidencia Ernesto Kenji Igarashi, o alvo final da engenharia social nunca é a máquina, é o humano que a opera.
De que forma a segurança física está se tornando uma prioridade para as empresas novamente?
A segunda frente reúne riscos que pareciam distantes do cotidiano empresarial. O quarto risco é a instabilidade geopolítica, com efeito direto sobre cadeias de suprimento, rotas logísticas e operações internacionais. O quinto é o evento climático extremo, que em 2026 já figura entre as principais causas de interrupção operacional no hemisfério sul.
O sexto é a violência dirigida contra executivos, dirigentes e figuras públicas, fenômeno em crescimento documentado que reposicionou a proteção de autoridades e de lideranças empresariais no centro das políticas corporativas. Ernesto Kenji Igarashi aponta que programas sérios de proteção executiva deixaram de ser símbolo de status para se tornarem controle de risco auditável, com análise de ameaças, planejamento de deslocamentos e inteligência dedicada.

Você conhece o inimigo que está sabotando o crescimento da sua equipe?
A terceira frente concentra riscos internos. O sétimo risco é a ameaça interna, seja o colaborador cooptado, seja o negligente, ambos amplificados pelo trabalho híbrido e pela alta rotatividade. O oitavo é a perda acelerada de conhecimento crítico e a escassez de talentos qualificados em funções de segurança, tecnologia e operações, lacuna que fragiliza qualquer plano de resposta.
O nono é a falha de conformidade em um ambiente regulatório que se multiplica, com legislações de proteção de dados, inteligência artificial e resiliência operacional avançando simultaneamente em vários países.
A resposta passa por cultura de segurança consistente, trilhas de qualificação técnica continuada e governança que trate gente como camada de defesa, tema que Ernesto Kenji Igarashi revela ao discutir formação de equipes de alta performance para áreas estratégicas.
Como a falta de preparação para a crise composta pode afetar a sociedade?
O décimo risco é o mais revelador do espírito de 2026, a crise composta, na qual dois ou mais eventos simultâneos saturam a capacidade de resposta da organização, por exemplo, um apagão tecnológico durante um evento corporativo de grande porte, ou um ataque de desinformação no auge de uma disputa regulatória. Matrizes convencionais avaliam riscos isoladamente; entretanto, a realidade os entrega combinados.
Sendo assim, Ernesto Kenji Igarashi retrata que as organizações mais preparadas já migraram de planos estáticos para exercícios de simulação multicenário, com gabinetes de crise treinados, cadeias de decisão claras e inteligência monitorando sinais fracos de convergência entre ameaças emergentes. Trata-se, na leitura de Igarashi, do teste definitivo de maturidade, aquele que nenhum certificado substitui e que só o ensaio realista revela.
Preparar não é prever: a mentalidade que definirá os vencedores da década
O aprendizado central deste mapa é que preparação madura não depende de prever o próximo evento, e sim de construir capacidade de resposta transferível entre cenários, com pessoas treinadas, informação de qualidade e comando claro. Empresas que internalizarem essa mentalidade atravessarão o ciclo atual com vantagem estrutural, ao passo que as demais continuarão comprando soluções pontuais para riscos que já mudaram de forma.
Ernesto Kenji Igarashi resume que essa visão sistêmica, que integra inteligência, cultura e proteção em um único desenho de resiliência, é o que profissionais vêm traduzindo do universo das operações críticas para a linguagem dos conselhos de administração.